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Lei Felca implementa mudanças que vão afetar pais, empresas e marketeiros
Na edição 156o Edição da Gossip Marketing: Lei Felca gera mudanças, IA está criando um mundo de ilusões, Cinema está rebolando para lançar trailers e muito mais...
Olá, humano! Me senti um pouco negativa escrevendo essa edição, mas quero crer que nada mais sou do que mensageira do apocalipse. Você pode me dizer o que achou nos comentários ou responder esse e-mail. Vou sugerir uma música espirituosa para que você possa aguentar essa leitura. Bora pra mais uma edição.
Lei Felca gera mudanças
IA está criando um mundo de ilusões
Cinema está rebolando para lançar trailers
⚖️ Legislação – Lei Felca implementa mudanças que vão afetar pais, empresas e marketeiros
A internet acaba de se tornar uma terra com Lei. Pelo menos é o que se acredita em teoria. 17 de março foi publicada a Lei ECA Digital, batizada popularmente por "Lei Felca". Por que isso está mexendo com a internet?
O Brasil finalmente se juntou a uma série de outros países para combater comportamentos predatórios contra crianças e adolescentes. Aqui está um resumo do que significa a Lei Felca:
Fim dos influenciadores mirins: Pais que expõem excessivamente os filhos ou os colocam em situações "adultizadas" para ganhar likes e dinheiro podem ser punidos.
Sorteios e "Loot Boxes": caixas surpresas onde o usuário paga para ganhar um item aleatório foram proibidas em jogos acessíveis a menores, pois são consideradas um "jogo de azar" para crianças. (GTA chegou a suspender vendas no Brasil para se adequar à Lei)
Streaming e redes sociais vigiados: Não basta mais apenas clicar em "tenho 18 anos". As plataformas terão que usar métodos mais seguros para garantir que uma criança não está vendo conteúdo adulto.
Crianças menores de 16 anos precisam ter suas contas obrigatoriamente vinculadas aos pais ou responsáveis.
Design precisa ser seguro: Se um aplicativo tem uma função de "reprodução automática" ou "notificações infinitas" que viciam a criança a ficar no celular, isso deve vir desligado de fábrica. A empresa tem que provar que o design do seu site/app não é feito para enganar ou viciar.
Empresa como responsável: A responsabilidade é da empresa. Se o conteúdo for considerado perigoso ou houver exploração, a empresa pode ser multada em até R$ 50 milhões ou 10% do seu faturamento.
A Lei já está valendo e vai ser responsabilidade da ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) fiscalizar tudo isso.
Por que isso é quente?
Eu entendo a revolta de alguns profissionais pelas mudanças na Lei, mas talvez falte consciência do quanto o mundo esteve maluco na última década, vem comigo:
Se uma adolescente postar uma foto no Instagram e não tiver engajamento em meia hora, ela apaga a foto. A plataforma automaticamente inicia propagandas em seu feed sobre produtos de beleza acreditando que ela tem um problema de autoestima.
Pedófilos utilizam as fotos que os pais publicam em suas redes sociais para criar perfis falsos e aliciar outras crianças.
900 mil jovens deixaram de se matricular na faculdade em 2025 por causa de dívidas de jogo.
O uso do YouTube aumentou mais entre crianças menores de 2 anos do que em qualquer outra faixa etária nos últimos cinco anos, e criadores de conteúdo estão usando isso para ganhar dinheiro criando conteúdo com IA.
Vou parar por aqui, mas os exemplos são extensos.
É impossível para um pai, mãe, ou qualquer organização familiar dar conta de estar vigilante sobre essa quantidade de estímulos.
Isso aumenta a responsabilidade das empresas e também dos profissionais que estão sob seu guarda-chuva.
Na prática, isso muda o fluxo de trabalho de qualquer time de marketing que trabalhe com públicos que possam incluir menores.
Antes, a pergunta era: "essa campanha causou algum dano?" Agora a pergunta é: "conseguimos provar, antes do lançamento, que essa campanha seguiu as diretrizes?"
Isso significa que três coisas precisam existir antes de qualquer ativação: mapeamento de alcance de audiência, revisão de design manipulativo e histórico de aprovações.

😬 Polêmica - A IA convenceu CEOs de que são gênios. E eles acreditaram
Estamos vivendo uma era em que todo mundo parece ter tomado um cogumelo alucinógeno, alguns mais do que outros. Seja porque cremos que a IA vai substituir nossos empregos depois do 37º lançamento do Google Labs, seja por não crermos que a IA vai ter impacto real nas profissões. O que está rolando?
Garry Tan é o CEO da Y Combinator, a empresa que ajudou a criar gigantes como Airbnb e Dropbox. Ele é uma figura poderosíssima no Vale do Silício.
Ultimamente, ele está tão obcecado por Inteligência Artificial (IA) que diz ter "psicose cibernética" e mal consegue dormir de tanta empolgação.
Garry compartilhou na internet uma ferramenta chamada "gstack". Ele a descreveu como algo revolucionário, algo que permitiria a uma única pessoa fazer o trabalho de dez funcionários e economizar milhões de dólares. (Já ouviu outro CEO dizer isso antes?)
O gstack é basicamente uma coleção de instruções como "Aja como um professor de matemática" ou "Aja como um revisor de textos", organizadas em arquivos de texto. Ele criou "papéis" para a IA, como o de "CEO", "Engenheiro" ou "Revisor de Segurança".
Muitas pessoas ficaram deslumbradas com a autoridade de Garry. O projeto viralizou, recebeu milhares de curtidas no GitHub e virou tendência em sites de tecnologia.
A IA Claude, que é a "base" que ele usa, chegou a chamar o sistema de "atencioso e maduro".
Mo Bitar, um vlogger de tech, compartilhou um vídeo de quase 8 min descrevendo que os CEOs estão ficando delirantes pela IA, ou, melhor dizendo, estão vendendo "água com açúcar" como se fosse a cura para o câncer.
Em sua crítica e na de outros programadores, o gstack é apenas um arquivo de texto com frases, algo que qualquer programador que usa IA já faz sozinho há meses.
E se Garry não fosse o CEO da maior aceleradora do mundo, ninguém daria a mínima para uma pasta de arquivos de texto.
Garry postou que um amigo CTO (diretor técnico) disse que os prompts dele eram um "modo deus" e que encontraram falhas de segurança graves instantaneamente.
Outros fundadores acharam isso ridículo e disseram que o tal amigo deveria ser demitido por não saber sobre segurança básica sem precisar das frases de Garry.
Por que isso é quente?
Estamos passando por uma turbulência que já acontecia antes da IA, mas que agora vai ficar ainda mais evidente: a influência do cargo como verdade universal.
Uma coisa é o analista de marketing dizer que a IA pode substituí-lo. Outra é o CEO da maior aceleradora de startups do mundo dizer isso. No primeiro caso, é uma possibilidade. No segundo, vira fato, independentemente do que ele esteja dizendo.
E existe um mecanismo por trás disso que ninguém está nomeando com clareza.
A IA foi treinada para te agradar. Usando um processo chamado RLHF, as empresas mostram ao modelo mil maneiras diferentes de responder e selecionam as que fazem o usuário sentir-se melhor.
Elas estão sintetizando matematicamente a sequência exata de palavras com maior probabilidade de fazer um humano sentir-se inteligente, competente e genial — e então servem isso para todos os C-levels por vinte dólares ao mês.
Um estudo com três mil participantes descobriu que conversar com chatbots de IA faz as pessoas avaliarem-se mais inteligentes e competentes que seus pares. Outro mostrou que quanto mais você usa IA, mais superestima suas próprias habilidades.
Em resumo: esqueça convencer seu chefe tecnicamente sobre o que é melhor para o marketing da empresa quando ele acabou de criar um micro saas em menos de 20min usando vibe coding.
A ferramenta nunca vai dizer a ele que o que construiu é medíocre. E você também não vai poder dizer.

🎬 Cinema – Lançar trailer normal não funciona mais. Disney e Warner estão rebolando para ter atenção
Lançar trailers dos filmes nas redes sociais não é mais suficiente para obter a atenção do público. Agora os estúdios estão tendo de rebolar em seus lançamentos para que os filmes não fracassem na bilheteria. O que está acontecendo?
Tudo começou com os estúdios independentes. Com orçamentos reduzidos, empresas como A24 e Neon precisaram usar novas abordagens de marketing para furar a bolha.
E tem funcionado. O teaser sombrio de Longlegs (2024) deu ao título o primeiro lugar de bilheteria da A24.
Agora grandes estúdios estão fazendo o mesmo para se destacarem em meio a tanta informação. Esta semana foram lançados dois dos maiores trailers do ano, e usaram estratégias diferentes da convencional:
Disney: lançou o trailer de Homem-Aranha: Um Novo Dia, iniciando com Tom Holland publicando em seu Instagram que o trailer seria lançado por partes.
Durante 24h, influenciadores e fãs selecionados ao redor do mundo (em diferentes fusos horários) receberam trechos exclusivos de poucos segundos para postar em suas próprias redes.
Isso obrigou a comunidade a unir-se para "montar o quebra-cabeça". O engajamento disparou porque cada país tinha um "pedaço" do trailer. O trailer completo foi lançado no dia seguinte.
Foram 718,6 milhões de visualizações em apenas 24h. Para comparação, ele superou de longe o recorde de Deadpool & Wolverine (365 milhões) e até o trailer de GTA VI (cerca de 475 milhões).
Warner Bros.: revelou o trailer de Duna: Profecia. Desde o primeiro filme em 2021, a Warner estabeleceu que o trailer de Duna não é apenas um vídeo, mas um evento social.
Para o terceiro filme, o cineasta Denis Villeneuve e os membros do elenco Zendaya, Robert Pattinson, Anya Taylor-Joy e Javier Bardem discutiram a produção do filme em um evento transmitido ao vivo. Logo em seguida, o trailer foi lançado.
Por que isso é quente?
Hollywood está tentando de tudo para salvar um acontecimento irrefreável: o consumo de entretenimento mudou. A questão não é se as estratégias funcionam. É se elas resolvem o problema certo.
A tentativa de lançar trailers diferenciados usando multicanais, estratégias de engajamento pela comunidade ou caça ao tesouro são todas válidas, mas isso é retardar a confissão de que a atenção agora é fragmentada. E não é porque falta uma plataforma que unifique tudo, pelo contrário, cada telespectador escolheu seu modo de consumo preferido.
Os estúdios construíram um modelo de negócio sobre a premissa de público massivo. Uma geração que cresceu com o cinema como evento coletivo principal, dividindo mesmos canais, mesmos horários, mesmas referências.
Tanto que, nesse contexto, o trailer fazia muito sentido devido à escassez de informação.
Hoje o contexto é radicalmente diferente. O público já sabe tudo sobre o filme antes do trailer — viu o set, acompanhou o elenco, leu o IMDb, cinco fanfics e assistiu à entrevista do diretor. O trailer chega como confirmação do que já é conhecido, não como revelação.
O marketing de filmes — e de qualquer outro segmento — ainda trata o cliente como alguém que precisa de uma informação nova em um mundo já saturado. Mas o consumidor pesquisado não precisa ser convencido, ele precisa ser concluído.
Na prática, isso muda uma pergunta fundamental. Em vez de "como faço o cliente prestar atenção em mim?", a pergunta passa a ser "o que ainda falta para ele agir?" A resposta para essa segunda pergunta é sempre menor, mais barata e mais eficiente do que qualquer campanha de lançamento.
🔥 O que andou aquecendo por aí:
Nike: causou alvoroço entre os torcedores brasileiros. A empresa lançou o segundo uniforme do Brasil contendo a silhueta do Jordan em vez da tradicional vírgula. Para piorar, os conspiracionistas alegaram que o design da estampa faz alusão à imagem do diabo.
Google: quer decretar a morte do Figma. Esta semana, a big tech lançou o Stitch, aplicativo de IA capaz de desenhar interfaces completas, interativas e de alta fidelidade a partir de um prompt.
WhatsApp: quer ajudá-lo a manter-se logado em outros dispositivos sem depender do seu número. O aplicativo está implementando a opção de fazer login com o Facebook.
YouTube: tornou-se a plataforma preferencial da FIFA em todos os dispositivos. Isso significa que as emissoras parceiras podem transmitir na íntegra os primeiros dez minutos de cada partida ou jogos selecionados. (Prepare-se para assistir a trailers da Copa do Mundo)
Instagram: finalmente implementou algo óbvio: pausar os reels com apenas um toque.
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