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Do tribunal ao Instagram: como o true crime transforma criminosos em celebridades

Na edição 151o Edição da Gossip Marketing: Criminosos se tornam celebridades, canetas emagrecedoras, Super Bowl do bem-estar e muito mais...

Querido e gentil leitor! Aaaahhh tive que mudar a introdução para dar esse gostinho bridgertoniano. A 4º temporada está aberta e eu estou a dar ataques de ansiedade pela segunda parte. Viram que a propaganda da Netflix é bem adequada ao tema? Adorei isso. Enquanto os fãs se agitam com os 4 episódios que sairam, resta a esta autora revelar as notícias mais quentes de marketing. Bora pra mais uma edição? 

Resumo para preguiçosos:

  • Criminosos se tornam celebridades

  • Canetas emagrecedoras= problema para as marcas

  • Super Bowl do Bem-Estar

💣Tendência – Do tribunal ao Instagram: como o true crime transforma criminosos em celebridades

Estamos vivendo um momento em que a linha entre criminalidade e celebridade ficou perigosamente borrada. A pergunta não é mais se crimes viram entretenimento, mas: é possível contar essas histórias sem transformar criminosos em marcas pessoais?

  • O boom de séries e documentários de true crime em plataformas como Netflix e Amazon Prime Video deixou de ser apenas registro jornalístico.

  • Hoje, ele funciona como um motor de fama e, em alguns casos, de celebração pública para pessoas que cometeram violência ou fraudes sistêmicas.

  • Produções como Tremembé ou O Golpista do Tinder não fazem sucesso por acaso. Elas ativam gatilhos psicológicos que a mídia contemporânea aprendeu a explorar muito bem: curiosidade mórbida, sensação de proximidade com o “vilão” e a ilusão de acesso a bastidores proibidos.

  • O caso de Simon Leviev, de O Golpista do Tinder, é quase didático. Dias após a estreia do documentário, sua conta no Instagram ganhou cerca de 200 mil seguidores. 

  • Anna Delvey, de Inventando Anna, foi ainda mais longe: ultrapassou 1 milhão de seguidores, transformou a fama em produto, passou a vender artes por até US$ 25 mil e lançou coleções de NFTs.

  • Suzane von Richthofen, após Tremembé, ganhou cerca de 100 mil seguidores em uma semana.

  • Elize Matsunaga, com Era Uma Vez Um Crime, voltou ao Top 10 da Netflix anos depois do lançamento. 

  • No momento, o nome mais citado é Jeffrey Epstein. Com a liberação de mais de 3 milhões de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, revelando detalhes inéditos sobre sua rede de exploração e conexões com figuras como Bill Gates, Donald Trump, Elon Musk e o ex-príncipe Andrew, o caso voltou com força total ao ecossistema de atenção.

  • O vídeo de abertura do documentário do Brasil Paralelo sobre o tema ultrapassou 1,4 milhão de visualizações no YouTube, enquanto conteúdos no Instagram sobre Epstein passam facilmente da marca de 500 mil views.

Por que isso é quente?

Não é curioso pensar que constantemente existem celebridades sendo canceladas por falas problemáticas enquanto tem pessoas problemáticas sendo aclamadas como celebridades? 

Isso acontece porque o crime é "glamourizado" na mídia, e o criminoso é apresentado como inteligente, audacioso ou injustiçado, criando um ciclo de fetichização que distancia o espectador da realidade do crime. 

O público, ao assistir a um documentário, passa a monitorar a vida real do criminoso, transformando-o em um "personagem de acompanhamento".

Isso mostra o quanto atenção virou moeda e já há alguns anos, o true crime é uma fábrica eficiente de atenção na internet. 

Esse fenômeno escancara uma verdade desconfortável: o público não engaja apenas com heróis ou valores positivos, mas com narrativas moralmente ambíguas.

As pessoas estão dispostas a ouvir desde as mais perversas histórias, sendo assim, é necessário que marcas e influenciadores decidam qual tipo de fama vale a pena construir. 

🔥Fim de uma era

Gostaria de anunciar que a minha parceria com a Neoplan evoluiu. Finalizamos o contrato de patrocínio e agora somos parceiros de negócio. O que isso significa? Que eu vou atuar como embaixadora da marca, promovendo os serviços e marcando reuniões para os executivos comerciais.

E isso só fez sentido pra mim, porque a Neoplan é uma agência séria, com atuação real em Brandformance, que equilibra resultados imediatos com construção de marca a longo prazo.

Se a sua marca busca o nível de entrega que oferecemos a clientes como Ajinomoto e New Holland, quero abrir esse caminho para você.

🧠 Comportamento – "Canetas emagrecedoras": como a redução da fome se tornou um problema para as marcas?

A data era junho de 2024, e eu estava escrevendo sobre como os medicamentos GLP-1 (Ozempic, Mounjaro, Wegovy, etc) mudariam o comportamento dos consumidores. Estamos em 2026, eu conheço uma amiga que injeta e provavelmente você também. O que significa esta nova realidade?

  • As conhecidas "canetas emagrecedoras" tem a função de inibir a fome. Diferente dos outros métodos de emagrecimento, em que a maioria dependia do esforço do paciente de controlar suas porções, agora ele é totalmente apático às comidas que se apresenta, isso vale desde doce até álcool.

  • Os efeitos na indústria até agora:

  • A PepsiCo registrou cinco trimestres consecutivos de queda no volume de lanches salgados.

  • Morgan Stanley projeta queda de até 15% no consumo de álcool entre usuários de GLP-1 até 2035.

  • Na H&M, o estoque para tamanhos maiores caiu de 86% para 50% em apenas um ano.

  • Relatório da Barclays Research mostrou que as cestas de compras nos supermercados estão em média 10% menores, e os gastos com alimentos embalados tiveram queda de 40%.

  • Nos EUA, enquanto o uso de medicamentos GLP-1 para obesidade mais que dobrou (aumento de 132%), o número de cirurgias bariátricas caiu 25,6% no mesmo período.

  • Enquanto uns choram, outros vendem lenços:

  • Nestlé lançou a marca Vital Pursuit, focada especificamente em usuários de GLP-1 que precisam de proteínas e fibras em porções reduzidas.

  • Com passageiros perdendo peso, companhias aéreas como United Airlines poderiam economizar cerca de 80 milhões de dólares por ano em combustível. (Lucro com a magreza alheia)

  • A Sonoco, gigante de embalagens, relatou aumento na demanda por embalagens com controle térmico para transportar as "canetas" de Ozempic, que precisam de refrigeração.

  • Segundo The New York Times, alguns restaurantes estão lançando refeições menores que custam menos, como a "mini refeição" de US$ 8 no Clinton Hall, em Nova York.

Por que isso é quente?

A demanda não está desaparecendo, ela está mudando de endereço. Estamos acostumados com um mundo onde existe desejo além da fome, e as marcas sempre agiram sobre esse desejo pré-existente. Mas as "canetas emagrecedoras" suprimem esse desejo na origem.

Por mais óbvio que pareça, precisa ser dito: as marcas não podem simplesmente fazer brotar desejo quando há um apetite contido. Como explica Karthik Srinivasan, consultor de estratégia de comunicação, isso deixa de ser um problema de marketing e vira um problema de modelo de negócios para indústrias inteiras.

Até 2030, 35% dos domicílios dos EUA incluirão um usuário GLP-1. Isso criará uma fragmentação brutal entre usuários e não usuários com necessidades fundamentalmente diferentes. Mas o fato é que quando um membro da família muda, todos os outros são afetados.

Aproximadamente 85% dos usuários de GLP-1 relatam mudanças significativas no paladar e apetite, com 74% evitando ativamente alimentos gordurosos e 67% pulando completamente os doces. Isso significa que, em geral, as pessoas estão se tornando mais conscientes do que é bom e ruim a longo prazo, e gradualmente a demanda está migrando para versões mais proteicas e saudáveis.

Se ainda duvida que isso é real, siga o dinheiro. Berry Street, plataforma que conecta usuários do GLP-1 a nutricionistas, arrecadou US$ 50 milhões em 2025.

Quando 35% dos consumidores já têm apetite quimicamente suprimido até 2030, as marcas que vencerem serão aquelas que constroem para o público GLP-1 hoje, não as que apostam que esse público vai diminuir amanhã.

🏈 Tendência – O "Super Bowl da Cerveja" morreu? Prepare-se para o intervalo mais fitness da história

Chegou aquela época do ano em que paramos tudo para analisar o que os comerciais do Super Bowl nos dizem sobre o futuro.O que está quente por agora?

  • O Super Bowl de 2026 promete ser repleto de mensagens focadas em saúde, vindas de marcas de todos os tipos.

  • Algumas pessoas já estão chamando de "Super Bowl do Bem-Estar", e isso pode refletir uma mudança cultural mais ampla num momento em que otimização da saúde virou obsessão nacional.

  • Liquid IV e Liquid Death estão promovendo hidratação e bebidas energéticas "melhores para você" durante o evento.

  • Oikos aposta na atual obsessão dos americanos por proteínas, surfando na onda fitness que dominou 2025.

  • Poppi e Raisin Bran estão lembrando as pessoas da importância da saúde intestinal.

  • Marcas de saúde e farmacêuticas como Ro, Lilly e Hims & Hers veicularão anúncios sobre GLP-1, perda de peso e longevidade.

  • O Super Bowl é o maior palco cultural do país. É onde a cultura é criada e refletida", disse Deb Freeman, diretora de estratégia da agência criativa Gut New York. "A nutrição tornou-se uma obsessão nacional."

Por que isso é quente?

É engraçado pensar nos profissionais de marketing transmitindo mensagens de saúde em um dia feito para batatas fritas, molhos e asas de frango.

Fato é que o Super Bowl sempre foi o termômetro cultural dos Estados Unidos. É o evento onde marcas apostam milhões para capturar o zeitgeist do momento.

E a tônica do momento é saúde. A mudança é radical e simbólica. Por décadas, o Super Bowl foi sinônimo de propagandas de cerveja, salgadinhos e fast food.

Era o dia oficial de "comer mal sem culpa" nos Estados Unidos. Mas agora, marcas farmacêuticas estão anunciando GLP-1 no intervalo do jogo, e bebidas promovem hidratação em vez de álcool.

Isso não é coincidência, é reflexo direto do que vimos acontecendo na indústria alimentícia.

A pergunta que fica é: será que estamos realmente prontos para assistir a uma final de campeonato brindando com um whey protein em vez de uma cerveja gelada?

🔥 O que andou aquecendo por aí:

Apple: está trabalhando em um broche vestível com IA para competir com a OpenAI.

Anthropic: quer que o Claude seja sua única estação de trabalho. A plataforma está implementando aplicativos do dia a dia profissional dentro do chatbot.

Senado: aprovou um projeto de lei que veda toda divulgação de bets no Brasil. Isso pode significar o fim de patrocínios esportivos, ações com influenciadores, eventos culturais e anúncios em meios de comunicação. Ainda há outras votações para que o texto se torne lei.

Clawdbot: é a IA agêntica mais famosa entre entusiastas. Trata-se de uma ferramenta open source que roda no seu computador e é capaz de atuar como assistente pessoal em tarefas dentro dos principais aplicativos de bate-papo. (Depois do hype, a Anthropic teria convidado o projeto a trocar de nome ao descobrir que ele intencionalmente queria soar como Claude.)

Instagram: está testando a possibilidade de você se remover da lista de “melhores amigos” dos stories de alguém. (é o fim dos nudes aleatórios?)

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